Ensino superior alterando

O Brasil já tem 207 anos de ensino superior. Ele no anterior já esteve melhor e mais produtivo. Hoje clama por rápida autorreflexão e mudança drástica. Afinal, as 2.500 universidades com autorização no país e dentre elas 2.112 particulares, segundo estatística do MEC, e principalmente as mais novas já são consideradas muito ruins. Algumas sequer deveriam existir por graves problemas técnicos. As universidades têm 50% de diplomados desempregados (pesquisa do IPEA). Tem índice de 38% de analfabetos profissionais – reciclados por empresas – Instituto Paulo Montenegro (IPM). Amarga segundo lugar no ranking com menos aptos e talentosos, pesquisa do grupo Manpower.

Em 2014 a fundação Dom Cabral demonstra que 91% das empresas se ressentem com mão de obra não qualificada. Inclusive, já reduziram as exigências e têm, ainda, 60% das vagas não preenchidas (800 mil de cursos superiores – dados da CNI e Pnad). Tal quadro paradoxal decorre em grande parte das políticas escolares com característica apenas crítico/reflexiva. Plano pedagógico que finge ensinar e falsamente aprender profissão. E nada oferta de específico válido na formação técnica tal como o mercado atual requer.

O ensino médio estendeu suas garras no ensino superior frágil, onde pouco se exige do corpo discente. Formação que privilegia ociosidade e atrevimento estudantil, que refuta experiência. Ao final fica enxurrada de diplomas vazios de conteúdos úteis. Algo que será castigado no tempo posterior, onde as preguiças e petulâncias serão punidas. Tal nivelar no inferior viola todo projeto profícuo de universidade. Uma triste realidade vivida que atrapalha até o desenvolvimento mais avançado no país.

A crise brasileira – acentuada por governos últimos – enfrenta tal propósito de ensino superior fragilizado. Enfim, as universidades particulares (soporíferas) acordam assustadas com arrocho (2015) no Fies. E resolvem recuperar lucros fáceis – anteriores. Aqui vão ofertar aulas de reforços internamente. Vão criar cursinhos gratuitos externos aos aprendizes mambembes. Ensejam alteração rápida dos currículos. Tudo para reduzir impacto forte no programa de financiamento aos universitários – antes livre do ônus de estudar. De fato, exigência de nota mínima no Enem (450 pontos) e não mais zerar a redação para o Fies tem apenas imposição certa do Ministério na Fazenda. Medida conservadora, após anos a fio de desleixo escolar e perdulário – irritante.

Há inusitada contrarreforma universitária, que autorregula o sistema pedagógico num vomitar de ideologias. Tudo tendente a melhorar o ensino superior – independente de 10% do PIB ou de royalties do fundo social do petróleo. Aqui pode insurgir mudança na qualidade pelas pontas mais tenras escolas privadas. Ou retorno das práticas aplicadas no mundo afora, que primeiro exige saber fazer para depois criticar. Educação que liberta da impertinência de pensar saber o que não se sabe.

Aqui o tempo de vaca magra tem, também, utilidade. Dilui inutilidade. Expele degradado social e, também, pedagógico insolente e improdutivo. Tem retorno do pensar tradicional de que todo esforço tem sua recompensa e toda preguiça merecida punição. Nada mais está protegido politicamente no sistema de ensinar com desconexão da realidade vivida. Há nova regra que impõe eficácia e eficiência escolar com fito profissional no ensino superior.

E quem viver (sobreviver) verá!

por Hélcio Corrêa Gomes, advogado.

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