A saga de um “bumbum” rebelde

Confesso que fazia um tempão que não parava para pensar na importância multidisciplinar das nádegas. Feriadão e uma viagem em família prometiam apenas diversão, mas momentos hilários foram registrados quando entramos no carro e vencemos os primeiros quilômetros da estrada. O problema foi que eu vacilei e esqueci de combinar a aventura de quase 5 mil km (ida e volta) com o meu traseiro. Busquei na memória, contando as horas no relógio, algo de real que pudesse traduzir o sentimento desencontrado entre eu e o meu ‘popô‘. Que fatalidade! Uma nádega e nenhuma posição em que pudesse esparramá-la no banco e soltar aqueleeee: ufa!

Sempre na juventude, lia e repudiava o modo machista que o traseiro feminino representa no imaginário do brasileiro. Mas, silenciosamente, fui levada a estabelecer um diálogo eu e ela (a minha bunda), negociando um acordo. Tipo assim, você se ajeita como quiser e me deixa tirar um cochilo. Ai que preguiça! Fica quietinha a cada buraco da rodovia e depois, palavra de escoteiro, te recompenso com um punhado de massagem. Que nada! Esqueci completamente que meu traseiro possui um espírito libertino e rebelde. E não era fácil colocá-lo no seu devido lugar.

Franceses, autores do livro ‘A Face Oculta das Nádegas’, fizeram um ensaio sobre o que descreveram como a ‘parte mais subversiva da anatomia humana’, que é a bunda. Num trecho chegam a afirmar que ao falarmos das nádegas, falamos de nós mesmos. Fiquei cabreira. Eu e meu popô sempre nos dávamos tão bem. Será que eu havia sacaneado com ele de alguma forma? Não. Não… não era por aí. Lembrei do filósofo Jean Paul Sartre quando disse: ‘a pátria, a honra, a liberdade, nada existe. O universo gira em torno de um par de nádegas’.

Se Sartre que é Sartre acha nádegas importantíssimas, quem sou eu para discordar? Decidi então que meu traseiro merece todo carinho. Afinal ele estava ali, sempre alerta nos últimos 50 anos da minha vida. Afundada em textos para desvendar o mistério do traseiro, descobri a versão brasileira da obra citada acima que é ‘A Face Visível das Nádegas, de Raimundo Amim Lima Haddad, terapeuta holístico de Minas Gerais. Para ele, esta desafiante parte do corpo é exigente e revela segredos mais sórdidos que as pessoas querem guardar.

Haddad garante que os formatos dos popôs dizem respeito não só ‘às relações harmônicas das partes do corpo físico, mas também das possíveis características pessoais’. Na constituição, há essencialmente músculos: o glúteo máximo, o médio e o mínimo. A cadência ou o balanço de uma bunda é fortemente dependente do giro da vértebra L 5. Entretanto, a bunda pensa por si só e expõe o dono. O terapeuta listou várias formas de traseiro que relaciono a seguir para matar um pouco da curiosidade de quem um dia pensou que bunda era apenas bunda.

1 – Nádega Banda Baú: são as nádegas que têm os glúteos volumosos com forma convexa, bojuda e boleada. Indica uma pessoa de personalidade difícil.
2 – Nádega Banda Pêra. Lembra a forma da fruta do mesmo nome e poderá ser o tipo de bunda que indica uma pessoa persistente e determinada.
3 – Nádega Banda Alta. Esta é caracterizada pelas extremidades superiores arrebitadas e indica pessoa exigente e severa consigo.
4 – Nádega Banda Plana. Não apresenta abaulamento e a pessoa que a possui costuma impor sua opinião.
5. Nádega Banda Baixa. São as rebaixadas. Geralmente a pessoa dispõe de biótipo brevilíneo e sempre traçará metas impossíveis de se alcançar.
6 – Nádega Banda Cereja. Este tipo revela na pessoa o estado de carência de retornos. Ela adora desafios e esportes radicais.
7 – Nádega Banda Larga. Não será difícil reconhecê-las, pois o tronco da pessoa tem a forma quadrada, com muita dificuldade para mudanças porque vive aprisionado em pensamentos torturantes.

Bem, para ser sincera, quando comecei este artigo não tinha a pretensão de abrir tamanho espaço para falar sobre as nádegas, mas, se elas são tão fundamentais, por que não, né! Em tempo: a minha vai bem, obrigada. Totalmente recuperada, meia vida e se lixando para avaliações de terceiros.

por Margareth Botelho, jornalista.

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