Insatisfação popular

O unificado governo Lula/Dilma reflete como pesadelo (tormento) no Dilma II, por matriz insensata de resolução ideológica e populista dos grandes problemas nacionais. Aqui se criou um futuro intoxicado (hoje o presente) por políticas ineficientes e debilitantes. Não se trabalhou qualquer instante aumento gradativo da competição no âmbito internacional. Os gastos públicos perdulários foram efetivados em expectativas das arrecadações – imaginadas. Tudo redundando no tempo atual e previsível em desorganização estrutural da produção nacional.

Programa de exceção – renúncia fiscal e subsídio estendeu num longo tempo recalcitrante. Além da desastrosa assistência social irrestrita – sem dever dos agraciados com formação profissional. Tudo causando efeito colateral de grupos ociosos, na ordem de 42 milhões de indivíduos (inadmissível). Uma economia regional no vagar delirante de velho vampiro desdentado em noite fria – enfadonha. Aqui o forte prejuízo material por paralisação da produção fica acrescido de fisiologismo e bandidagem no poder. Hoje em fase de dura e penosa apuração para punição judicial.

É fato que o capitalismo organiza melhor a produção ou mais satisfatoriamente que às práticas libertinas e titubeantes adotadas por Lula/Dilma. Aqui são ideologias, populismos e incompetências misturados. Não têm reformas liberais, que deem cabo das tarefas. Daí no Dilma II fazer absorção das políticas mais conservadoras para um contorno regulatório das próprias incongruências, que atingem forte demais o Brasil.

Vale relembrar que o capitalismo foi civilizado em muitas partes do mundo por lutas de trabalhadores e principalmente por grande invenção dos operários – sufrágio universal e secreto (a partir do século 19) como a grande sacada dos que sofriam mais relações injustas. Um controle que civiliza o capital lentamente. Afinal, sem sufrágio o poder se expressa violentamente no mercado. No Brasil o protesto popular contínuo atinge o governo/PT e deve ser tratado como regulação inovadora e positiva. Aqui o juiz federal, Sérgio Moro, que desdobra a Lava Jato e que já ordenou a prisão do tesoureiro do PT (Vaccari), dentre outros, como um dos agenciadores do esquema na Petrobras, pode ser tratado como herói nacional. E 75% da população que apoiam o movimento social, segundo Datafolha idem.

Os insurretos assanham e já andam querendo greve geral de 24 horas (26/04/2015) para demonstrar que o país não mais pertencer aos corruptos e corruptores. Tudo traz à tona a boa capacidade popular não imaginada de utilizar de instrumento de protesto amplo, que vai além do poder moderador do Congresso Nacional com 82% de reprovação. A própria oposição (PSDB e outros) desorienta-se. Foge do amargor do pacto nacional para contornar a enorme crise brasileira com fortes desgastes. Eis o que sustenta no provisório o governo Dilma II assustado e imóvel exceto no Ministério da Fazenda por aplicar as políticas conservadoras, que corrigem erros e problemas de irresponsabilidades gerenciais.

Tudo indica rendição incondicional do governo de Rousseff. E que está resistida por efeito moderador democrático e popular, que desacelera a intensidade da deterioração institucional da nação, que pode atingir tudo e todos com prejuízos irreparáveis por retrocesso no desenvolvimento nacional conquistado à dura pena – após a década de 30 no Brasil.

por Hélcio Corrêa Gomes é advogado.

Deixe uma resposta