Livros em todos os sentidos

O Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais, comemorado nesta quinta-feira (23) e instituído há 19 anos pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), celebra escritores antológicos. Nessa data, em 1616, faleceram Miguel de Cervantes e Shakespeare e, em anos distintos, nasceram Maurice Druon, autor de “O Menino do Dedo Verde”, e Vladimir Nabokov, conhecido pelo best-seller “Lolita”.

Em paralelo à vida e obra desses famosos escritores, outra ideia que foi inspiradora para se instituir a comemoração veio da tradição catalã, na Espanha, de, também nesse dia, oferecer uma rosa a quem compra um livro.

Trata-se, portanto, de uma ocasião muito oportuna para enfatizarmos nossa meta de ampliar o índice de leitura no Brasil, de 1,3 livro por ano na população de adultos e 3,3, entre os jovens. A média é muito baixa para uma nação que busca o desenvolvimento.

É verdade que, nos últimos anos, observa-se mobilização no tocante às políticas de leitura. No entanto, é preciso ir além, disseminando o livro em todos os sentidos: em casa, na escola, nas praças públicas, como subsídio às carreiras profissionais, no lazer, na cultura e em todas as faixas de renda.

Para isso, é importante que o governo prossiga com seus projetos de políticas públicas e o setor editorial empenhe-se cada vez mais, numa ampla mobilização de editoras, livrarias, distribuidores, creditistas, escritores, capistas, produtores gráficos e todos os profissionais que atuam na produção do livro, bem como bibliotecários, escolas e universidades.

Ou seja, toda a cadeia produtiva do livro engajada e trabalhando em sinergia. Em tempos de mobilização por direitos e opiniões, nada mais sadio e próspero do que promovermos uma grande iniciativa pela leitura. Afinal, é somente através dela que atingiremos o nível de educação que almejamos.

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) também está propondo a realização de um programa, em âmbito nacional, de leitura nos parques, incluindo a criação de bibliotecas volantes. O projeto teria a participação do mercado editorial e suas entidades de classe, ao lado de organismos estatais.

A ideia é a de que o livro aproxime-se da população. Com o mesmo propósito, a CBL aprimorará a Bienal Internacional do Livro de São Paulo e seguirá apoiando eventos similares em todo o Brasil. As feiras também aproximam o público das obras e seus autores, estimulando a formação de leitores.

Para incentivar ainda mais o público jovem, criaremos o Concurso Nacional de Contos, envolvendo escolas de todo o Brasil. Motivados a escrever, nossos estudantes tendem a despertar maior interesse pela literatura.

É necessário empreender todos os esforços – poder público e iniciativa privada – para que, juntos, em futuro próximo, comemoremos o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais como uma grande nação de leitores.

por Luís Antônio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL)

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